7 de dezembro de 2012

Espero por você.


Entrei pelo corredor seguindo a linha vermelha como foi dito na portaria. No primeiro corredor sentia meu corpo tremendo por dentro, como se a qualquer momento tudo fosse desmoronar. Mas segui. Cheguei ao portão onde as iniciais “K/L” estavam escritas. Por segundos senti medo, de abrir, de entrar e do que eu iria ver. Juntei todas as minhas forças e fui.

Um soco no estômago, uma fincada pelas costas. Eu nunca, durante todos os anos da minha vida, pensei que fosse te ver naquela situação. Uma pele branquinha, como se não tomasse sol há muito tempo. Os olhos fechados em um sono profundo. A respiração pesada, porém calma e ao mesmo tempo fraca. Levei a mão em sua cabeça na esperança que você pudesse me sentir. Minha respiração ficou mais forte, minha garganta se fechou, como se um grito estivesse pronto para sair. Chorei. Desabei. Meu rosto em poucos estantes estava coberto por água. A mão um pouco tremula deslizando sobre a sua cabeça. A outra tentando evitar com que mais lágrimas se espalhassem por todos os lados.

Você estava lá, tão frágil, tão vulnerável como eu nunca o imaginei ver. A pessoa que mais me ensinou a ser forte deitada ali, imóvel. Eu procurei palavras para lhe falar e que descrevessem sua presença durante toda a minha vida, porém o que conseguiu sair dentre tantos sentimentos foram: obrigada, eu te amo, nos vemos em breve e fica com Deus.

Dei o último suspiro, fiz o último carinho, dei um beijo, apertei a sua mão e saí, como se fosse uma fugitiva, porém fugindo dos meus sentimentos e dos meus próprios medos. A cada passo mais distante de você, de mim, do não me conformar e perto da mais estranha sensação de te deixar estar em paz.
Espero te ver aqui fora, vovô.

GD.