7 de novembro de 2012

360º

Dentre uma das coisas que pude reparar na vida é que tudo tem um fim e esse fim termina em um novo começo. Seja lá o que for que esteja acontecendo, vai acabar e vai começar outra vez. É um giro de trezentos e sessenta graus completo. Com pequenas paradas, mas que termina no mesmo lugar em que começou: no início. São ideias tortas, embaralhadas, mas que fazem sentido. Pelo menos a meu ver.

Já aconteceu comigo e com certeza com você também. Aquela felicidade de começar, o êxtase de permanecer, a tristeza de terminar e a incerteza de não saber depois por onde caminhar. Até que você desiste, depois de muito se mutilar por dentro e perceber que a incerteza não te levará a lugar algum. Então chega a melhor parte, a que você vive. Vive por você, para você e para fazer você e as pessoas que você gosta felizes. Uma sensação de liberdade, onde nada poderá te atrapalhar, ninguém poderá te deter.

Eu sei que você conhece esse sentimento, assim como eu, de que algo começou ou está acontecendo ou terminou na sua vida. E você está aí, respirando e vivendo cada momento, com todas as felicidades, constâncias, inconstâncias, tristezas e incertezas.

Sabe, mesmo com esse tumulto de acontecimentos, o melhor de tudo é não esperar. Sempre me disseram isso: “não espera que o que é seu, vem”. Eu sempre preferi acreditar que não, mas vem, quando você estiver distraído, olhando para o além e imaginando como seria se você pegasse um sol no final de semana, naquele domingo.

E o próximo giro de trezentos e sessenta graus começa outra vez.

GD.

12 de setembro de 2012

No mesmo lugar.


Sabe o que eu queria de verdade? Poder olhar dentro dos seus olhos e dizer todas as palavras que estão entaladas dentro da minha garganta. Aquelas que por respeito, a mim e a outro alguém, me bloqueiam e não me deixam fazer com que saiam com toda a força que cada letra que as constrói possui. Seria talvez jogar tudo para o alto, sem pensar em mais ninguém, apenas no “eu ser feliz” - o que venho tentando ser a certo tempo, não que eu não seja, mas tentando ser completa. Tenho a mania de pensar no outro. Nesse sentido, então, estupida.

Sabe, acho que tudo isso é fraqueza. Às vezes pelos tantos tijolos que construí fora de mim e que me impedem de sair. Se eu tento destruí-los? Todos os dias. Porém, o cansaço não é um dos melhores sentimentos para se lidar, principalmente quando ele caminha ao lado do medo. Mas, algumas coisas já foram ditas, alguns tijolos já foram quebrados. Tenho agora um buraco por onde posso apenas olhar o caminhar, o passar das horas, dos dias, e fazer o que tenho feito constantemente, esperar.

Perguntaram-me se após ter caído no poço teriam me jogado uma escada. Minha vontade era gritar que sim, porém é complexo mentir. Pra si mesmo, masoquismo. Estou aqui, sentada no mesmo canto de antes, observando o céu. É o que me resta até o dia em que a escada chegar. E espero que chegue logo.
No mais, sigo cantarolando: “E eu ainda me sinto assim. Talvez seja o fastio, esse reflexo tão denso que não me deixa em paz. E no espelho eu ainda encontro mais peso do que na verdade eu possa suportar. E quase o mundo mais pesado do que eu possa carregar preso a um espelho entre o abismo e o terreno. E bem lá no fundo, um ser quase imundo. E eu ainda me sinto assim, fruto do sonho e do medo, preso até onde meus pés consigam me levar.”

GD.

30 de agosto de 2012

Murmúrio


Hoje só quero o murmúrio do canto da noite que vem me embalar. Quero escutar a saudade que tem tanta coisa pra me revelar, lembrar que te amei muito mais do que é permitido em uma ilusão e preencher o vazio, com tudo, que dita o meu coração.
Hoje só quero o murmúrio da brisa macia que vem lá do mar. Quero seguir o caminho do tempo que passa pra não mais voltar, cantar e quem sabe chorar tudo quanto ganhei, tudo quanto perdi, relembrar amores que vivi.
Há quanto tempo que eu vivo a buscar solidão. Loucuras fiz a me enganar, a me perder sem razão. Hoje só quero poder relembrar sob o clarão do luar, tudo que sofri sem reclamar.
Casuarina
GD.

20 de agosto de 2012

Caí, outra vez.


E quando você pensa que tudo irá melhorar, cavam mais um buraco embaixo de você. E você cai. Cai sem ter qualquer lugar para se segurar, para não bater no fundo vazio que você conhece tão bem.  Já consegui sair de lá, mas cada vez é diferente. E convenhamos, nunca é bom cair.

Quando você está no buraco, mania das pessoas acharem que você tem que ficar bem, estar bem. Pudera eu ser feliz todos os dias. Aparento sim, tento não passar os meus problemas para frente, afinal todos nós já temos problemas demais. Por isso, quando consigo, estampo no rosto um sorriso falso, uma alegria falsa, para fazer de conta que está tudo bem, mesmo sentada no canto do fundo do poço.

Não pergunte se está tudo bem, pois não está. Apenas me deixe sentada, com os braços envoltos no joelho e lembre-se do sorriso falso que dei para não te preocupar. 

GD. 

11 de agosto de 2012

Peripécias com pitada de encantamento.

Antes de dormir quero compartilhar algo que presenciei. Já eram vinte e três horas de uma sexta-feira interminável. Mais um dia de trabalho acrescentado de vida acadêmica. Como um ritual de todos os dias eu estava sentada em um banco esperando o expresso passar para voltar para casa. Um momento só meu, onde coloco a cabeça no lugar e penso desde os meus sonhos inalcançáveis até o que teremos para jantar no dia seguinte. Por mais longe que minha cabeça pudesse estar observei um casal no meio da multidão e algo me chamou a atenção, eles dançavam. E não importava quem estava passando por ali. No meio da multidão estavam os dois, apenas os dois, com uma música que apenas eles escutavam. Uma melodia que apenas eles conseguiam entender, através de passos quase perfeitos e giros improvisados. Uma dança que entendi como um samba de gafieira que existia ali, apenas para eles. 
Acho que amar é isso, é encarar a loucura do outro como a sua loucura também, como uma troca, onde apenas ser feliz é o que importa. Me encantei com aquele casal despreocupado.



GD.