1 de novembro de 2009

Acalento

Pessoas correm a minha volta, lutando contra o relógio. Os ônibus lutam para poder passar pelas vias, onde certa aglomeração de indivíduos percorre para conseguir uma vaga dentro daquele único expresso. Estou parada ali, observando como a correria me desespera e como eu precisava de algo para me acalmar. O celular esquenta no meu bolso pedindo para ser usado. Parece até que ele já sabe do que eu preciso. Meus dedos percorrem os números, que por sinal, já estavam gravados em minha mente. Barulho. Um silêncio repentino. Batidas altas dentro de mim. Logo vem a calmaria, e o que eu precisava para me tranqüilizar, já estava fazendo efeito. Um “oi” como saudação. Uma risada para expressar vergonha. Alguns minutos se passaram, e quando me dei conta, o celular já estava em meu bolso outra vez. Queria entender o poder que aquela voz tem sobre mim. Entender o porquê de querer escutar ela quando eu preciso. Com essas perguntas eu sigo em frente, caminhando para a multidão acelerada. Mas com uma diferença. Meus passos eram um acalento para aquelas vias desesperadoras.

GD.