22 de junho de 2011

Uma mulher que invejo

Não canto mais Babete nem Domingas,
nem Xica nem Tereza de Ben Jor;
nem Drão nem Flora do baiano Gil,
nem Ana nem Luiza do maior;
já não homenageio Januária,
Joana,Ana,Bárbara de Chico;
nem Yoko,a nipônica de Lennon,
nem a cabocla de Tinoco e de Tonico.
Nem a tigresa nem a Vera Gata
nem a branquinha de Caetano;
nem mesmo a linda flor de Luiz Gonzaga,
Rosinha do sertão pernambucano;
Nem Risoflora,a flor de Chico Science,
nenhuma continua nos meus planos;
nem Kátia Flávia de Fausto Fawcett;
nem Anna Júlia do Los Hermanos.

Só você, hoje eu canto só você;
Só você,que eu quero porque quero,por querer.

Não canto de Melô Pérola Negra,
de Brown e Herbert,nem uma brasileira;
De Ari,nem a baiana nem Maria,
nem a Iaiá também,nem minha faceira;
de Dorival,nem Dora nem Marina;
nem a morena de Itapoã;
divina garota de Ipanema,
nem Iracema de Adoniran.
De Jackson do Pandeiro, nem Cremilda;
de Michael Jackson, nem a Billie Jean;
de Jimi Hendrix, nem a doce Angel;
nem Ângela nem Lígia,de Jobim;
nem Lia,Lily Braun nem Beatriz,
das doze deusas de Edu e Chico;
até das trinta Leilas de Donato
e da Layla,de Clapton,eu abdico.

Só você, canto e toco só você;
Só você, que nem você ninguém mais pode haver.

Nem a namoradinha de um amigo
e nem a amada amante de Roberto;
e nem Michelle-me-belle,do beattle Paul,
nem Isabel - Bebel - de João Gilberto;
nem B.B. la femme de Serge Gainsbourg,
nem de Totó na malafemmená,
nem a Iaiá de Zeca Pagodinho,
nem a mulata mulatinha de Lalá;
e nem a carioca de Vinícius
e nem a tropicana de Alceu
e nem a escurinha de Geraldo
e nem a pastorinha de Noel
e nem a namorada de Carlinhos
e nem a superstar do Tremendão
e nem a malaguenha de Lecuona
e nem a popozuda do Tigrão.

Só você,hoje elejo e elogio só você;
Só você, que nem você não há nem quem nem quê.

De Haroldo Lobo com Wilson Batista,
de Mário Lago e Ataulfo Alves,
não canto nem Emília nem Amélia,
nenhuma tem meus ''vivas'' e meus ''salves''!
E nem Angie,do stone Mick Jagger;
e nem Roxanne, de Sting, do Police;
e nem a mina do mamona Dinho
e nem as mina ? pá! - do mano Xiz!
Loira de Hervê,Loira do É O Tchan,
Lôra de Gabriel o Pensador;
Laura de Mercer Laura de Braguinha,
Laura de Daniel o trovador;
Ana do Rei e Ana de Djavan,
Ana do outro Rei,o do Baião;
nenhuma delas hoje cantarei,
só outra reina no meu coração:

Só você, rainha aqui é só você;
Só você,a musa dentre as musas de A a Z.

Se um dia me surgisse uma moça
dessas que,com seus dotes e seus dons,
inspira parte dos compositores
na arte das palavras e dos sons,
tal como Madallene,de Jacques Brel
ou como Madalena,de Martinho
ou Mabellene e a sixteen de Chuck Berry
ou a manequim do tímido Paulinho
ou como,de Caymmi,a moça prosa
e a musa inspiradora Doralice;
se me surgisse uma moça dessas,
confesso que eu talvez não resistisse;
mas,veja bem,meu bem,minha querida,
isso seria só por uma vez.
Uma vez só em toda a minha vida,
ou talvez duas, mas não mais que três!

Só você,mais que tudo é só você;
Só você, as coisas mais queridas você é.

Você pra mim é o sol da minha noite,
é como a rosa luz de Pixinguinha;
é como a estrela pura aparecida,
a estrela a refulgir do Poetinha;
você, ó floré como a nuvem calma
no céu da alma de Luiz Vieira;
você é como a luz do sol da vida
de Stevie Wonder,ó minha parceira.
Você é pra mim o meu amor
crescendo como mato em campos vastos;
mais que a Gatinha pra Erasmo Carlos,
mais que a cigana pra Ronaldo Bastos,
mais que a divina dama pra Cartola,
que a domna pra Ventadorn,Bernart;
que a Honey Baby para Waly Salomão
e a Funny Valentine para Lorenz Hart!

Só você,
mais que tudo e todas,é só você;
Só você, que é todas elas juntas num só ser!


Lenine - Todas elas juntas num só ser



GD.

19 de maio de 2011

O perder

Como o pensar em perder pode doer tanto? Depois de ler um texto fabuloso do Renato Cabral “Um pôr-do-sol para o meu pai”, comecei a observar a minha vida e o que eu fazia dela. Será que eu aproveito como deveria aproveitar? Será que dou valor as pessoas erradas e deixo as que realmente merecem de lado? Será que faço as escolhas certas? Será que penso em mim?
Gostaria de ter uma resposta positiva a todas as questões anteriores, mas infelizmente não tenho. Gasto mais tempo me preocupando com coisas inúteis do que comigo mesma. Sei que não aproveito tudo o que tenho para aproveitar, não penso em mim como deveria pensar, não faço as escolhas certas e não, eu não dou o valor nas pessoas corretas.
Pensar em tudo isso dói. Dói por saber que tudo o que deixei passar não voltará e continuo a remar na mesma direção, um lugar onde sou egoísta, não com os outros, mas comigo mesma, por não dar a mim a oportunidade de sugar o melhor das coisas maravilhosas que a vida me dá e doar mais do que o necessário para as inúteis, sendo que poderia fazer mais por mim, por quem merece.
Chegar a esta conclusão não é a coisa mais fácil do mundo, infelizmente precisei pensar no risco e nas possibilidades de perder o que já é meu e o que um dia poderia ser pelo simples fato de não acreditar que tudo o que temos é o necessário para sermos felizes. E não há nada que poderá substituir a grandeza de dois braços abertos a cada retorno para casa.

O texto que menciono acima você pode ler aqui.


GD.

5 de maio de 2011

O tanto

Tantos são os encontros e desencontros da vida. Tantas são as pessoas que passam por nossos dias e fazem deles momentos inesquecíveis. Tantas são as vezes que nos separamos de alguém, por motivos que doem o coração, ou por apenas medo. Tantas são às vezes...

É por esse rodeio de tantos e quantos que fazemos de nossos dias verdadeiros roteiros. São tantas histórias, tantas vidas vividas em uma só vida. São tantos abraços, tantos sorrisos, tanta felicidade. Mas ao mesmo tempo tanto choro, tanta tristeza, tanta raiva. São tantas dúvidas, tantas certezas e incertezas. São tantos os tantos. E entre esse vai e vem nos encantamos, nos entregamos, nos mostramos mais.

E assim cada um leva sua vida, entre tantos e tantos em um tanto só.

GD.

25 de março de 2011

Hoje sou feliz

Hoje meu dia acordou mais feliz. Uma felicidade que não reinava por um bom tempo. Hoje é sexta-feira, e o sol resolveu acordar depois de longos dias de descanso, o que foi ótimo, pois fez minha boca dar um pequeno sorriso torto outra vez. Vocês deveriam ter visto aquele nascer do sol. E sabe a sensação de estar em paz? É a que eu sinto agora.

Hoje sou capaz de tudo. De ser quem eu quiser, fazer o que eu quiser. Ser feliz a qualquer custo, me encantar, me surpreender, me apaixonar e retribuir o gostar de quem realmente gosta de mim. Aqui dentro, agora está tudo em paz. Os pequenos buracos estão se tampando e pela primeira vez na vida aprendi a me preocupar mais comigo do que com os outros. Não por egoísmo, mas por saber que preciso cuidar um pouco mais de mim.

Sei que muitas surpresas me aguardam, mas agora caminho sobre o paralelepípedo da vida, de braços abertos e prontos para abraçar o melhor que tenho a receber de mim mesma e das pessoas que me rodeiam. Cansei de fingir, e sinto pena das pessoas que vivem atoladas em suas próprias mentiras e a tentar mostrar superioridade. Não preciso e nunca precisei me mostrar melhor do que ninguém para ser feliz.

Posso dizer que agora deixo a vida me levar, para onde ela quiser. Parei de planejar o futuro, não o esqueci, apenas comecei a pensar no agora e no que realmente me importa.


"A felicidade depende de nós mesmos" Aristóteles


GD.

9 de março de 2011

Sobre os dias chuvosos

Ahh a chuva! Aqueles pequenos pingos que clamam por chocolate quente, boa companhia, filme e cobertor. Aquelas gotinhas que fazem o bem, águam as plantas, deixam tudo fresquinho e com carinha de novo. Ahh a chuva...

O primeiro parágrafo teria continuação se eu não estivesse praticamente EMBOLORADA de tanta chuva. Eu sei que faz um bem danado, mas pelo amor de Deus, minha bolsa nas ultimas semanas virou um quite salva-vidas com direito a: “Aqui tem tudo o que você precisa, sombrinha, capas de chuva multicoloridas, remos, botes, e muito mais”, estou pior do que propaganda das Casas Bahia. Você deve estar pensando: “Nofa que menina revoltada”. É porque não é você que depende da linda Mercedes Benz, também conhecida como transporte público, vulgo ônibus ou ons.

Acordo toda serelepe e felix, arrumo o bebelinho, tomo café da manhã, pego minhas coisas, abro a porta de casa e está chovendo. Tudo bem, não é a toa que tenho guarda-chuva. O primeiro passo para fora de casa é a catástrofe em pessoa. O vento marca 600km por hora, meu tênis já está meio ensopado, a sombrinha, que serve para salvar apenas aquele pedaço do cabelo conhecido como franja, teima em querer virar e os dois braços que Deus me deu viram quatro. Imagine a cena: uma mão segura o cabo da sombrinha que ao mesmo tempo prende a bolsa na frente da barriga que tenta não molhar. A outra mão segura uma haste que quer virar a qualquer custo e quando vejo estou praticamente emborcada para frente como se fosse derrubar alguém com o meu super escudo protetor à La Eric, o cavaleiro do desenho “A Caverna do Dragão”. Mas para o meu alivio o ponto do ons fica só a um quarteirão.

Espero ansiosamente sua chegada. O primeiro freio espirra pequenas gotículas de água na minha calça, que já não são nada comparadas a cor do meu tênis. Lá dentro está tudo muito quente e abafado, abafado, abafado, uma sauna ambulante. Sim, o cheiro de gente molhada, cabelos com condicionador, o fedozinho quase que insuportável da querida alma que não toma banho já faz dias. E canpensquinão: TUIN! Sim, a franja que com muito cuidado e muito sofrimento mantive intacta dando a minha vida até um segundo atrás, estava toda enrolada. Nesse momento facas, mortes, decapitações passam pela minha cabeça, mas eu sou forte, eu consigo. Vamos lá, respiro, inspiro e estou calminha.

Lá se foi o primeiro ônibus, e depois de muito sofrer no segundo, como se já não bastasse, uma poça d’água e um carro a toda velocidade finalizam minha triste e aventureira caminhada até o trabalho. No final, a cheirosinha e limpinha chega à agência com a meia toda ensopada, a calça jeans que era lisa agora toda trabalhada na estampa militar e para completar o look do dia aquele coque podrinho no alto da cabeça. E você me pergunta: “Mas como você tem coragem de ir trabalhar assim?” E eu te respondo: “Escolha entre me dar um carro ou ir tomar um belo banho na soda (pois eu sou educada)”.

E é assim, que termino todos os meus santos dias de chuva com a certeza de que quando eu bater na porta do paraíso, São Pedro irá me dar passagem direta para o céu com direito de ficar à direita de Deus pai todo poderoso, por que olha vou te contar, essa minha vida tirana não é mole não.

Ai quando falo que minha rotina são contos hollywoodianos, neguinho não acredita em mim.


GD.