16 de março de 2012

Então, venha.


Acordei. Ainda é tarde e a minha cabeça não consegue parar de funcionar, de pensar, de tentar entender coisas que certamente não foram feitas para serem entendidas, mas sentidas. É aquele sentimento de impotência, de parecer tão pequena, tão incapaz de expressar os meus próprios sentimentos. A cama parece tão grande e certamente falta o alguém para preencher esse lugar, mas eu vou ter que voltar a dormir, eu não tenho outra alternativa que não seja dormir, acordar e seguir.

Medo. O medo de não passar de um mero presente bom, de um futuro incerto, de um passado que não existe, e passará a existir apenas em lembranças, talvez. Arrependimento. De não tentar, de saber que as coisas são tão fáceis e que um simples querer pode mudar o seu futuro, pra sempre.

Dúvida. Vou me arrastando, passo atrás de passo apenas assistindo o tempo passar por trás e pela frente de uma tela que reflete o que eu nunca escutei, apenas vi ali parado no tempo de um tempo qualquer, que tenho vontade de escutar, talvez se me deixar escutar, tocar quem sabe uma vez. Uma tela que em certos momentos se transforma na melhor visão, no melhor sentimento, no que eu procuro há tanto tempo, mas que está tão longe, em outro lugar.

Poder. Querer é poder. É poder mudar tudo e construir o tudo que você sempre imaginou. Eu sei, eu posso, mas me resta coragem. Falta o conhecer de duas partes. Resta o recíproco. Resta apenas um “venha”, um “cheguei” pra me prender, te prender pra nunca mais soltar. Por que eu sei, você sabe, nós sabemos. Eu posso, você pode, nós podemos.

Dormi.


GD.

15 de março de 2012

Uma mensagem de amor.


Os livros na estante já não tem mais tanta importância. 
Do muito que eu li, do pouco que eu sei, nada me resta a não ser a vontade de te encontrar. 
O motivo eu já nem sei, nem que seja só para estar ao seu lado, só pra ler no seu rosto uma mensagem de amor.

A noite eu me deito, então escuto a mensagem no ar.
Vagando entre os astros, nada me move nem me faz parar a não ser, a vontade de te encontrar.
O motivo eu já nem sei, nem que seja só para estar ao seu lado, só pra ler no seu rosto uma mensagem de amor.


Leo Jaime.


GD.

12 de março de 2012

Abra o coração.


Abrir o coração. Todos nós deveríamos fazer isso, por mais difícil que seja. Pois só quem já o fez entende a sensação de liberdade que bate dentro do peito. A vontade de sair correndo de braços abertos e se jogar completamente ao mundo.

Quando abrimos o coração nos tornamos pessoas melhores, não só ao mundo, mas a nós mesmos. Tudo fica mais bonito. As pessoas ficam mais bonitas, menos chatas, temos vontade de rir de tudo, sorrir para tudo, todos e não importamos com as pequenas coisas que antes nos faziam mal.

Ao abrir o coração nós ficamos mais bonitos. Brilhamos tanto que a inveja seca, vai embora. E sabe porque? Por que nós estamos tão bem com nós mesmos, com tudo o que está acontecendo ao nosso redor que o que vemos é o que realmente importa, as coisas ruins passam despercebidas.

Nos sentimos tão bem quando abrimos o nosso coração que por mais que as outras pessoas se contorçam por dentro ao ver a nossa felicidade, elas se remoem de vontade de brilhar com a gente.

É ao abrir o nosso coração, esquecer o que fez mal, que as coisas boas acontecem. Que conhecemos pessoas, que nos descobrimos melhores do que sempre fomos, ficamos mais confiantes e encontramos pessoas que desejam sempre a nossa presença, pois nós podemos e temos quando abrimos o nosso coração, a capacidade de fazer o outro feliz.  

Abra o seu coração. 

GD. 

5 de março de 2012

O que eu não sei o que é.


Penso que se a saudade existe é para que ela seja realmente sentida. É o que eu acho. Mas como sentir saudade de quem a gente não “conhece”? Eu não entendo. Será a maneira de pensar? Será o gosto para tudo? Será a maneira de conversar? Será o jeito de fazer sorrir quem está de cá? Ou será a minha idealização da pessoa que faz com que essa saudade, se é que isso é saudade, aconteça?

Acontecem tantas coisas estranhas por aqui, algumas tenho vontade de dividi-las, mas será que esse alguém pensa assim também? Será que se importa? Será que ele sente esse negócio que eu não sei se posso chamar de saudade? Será que tenho a minha maneira de fazer esse alguém sorrir? Ou será que a minha cabeça é tão flutuante a ponto de achar que tudo o que eu escrevi anteriormente não passar de uma mera bobagem?

O não saber é complicado, mas já me contradizendo, o que sei é que tudo isso pode ser cena desse coração vulcânico que já quis ser rifado. Quem sabe valha a pena.


GD.

29 de fevereiro de 2012

Rifa-se um coração.

Rifa-se um coração quase novo. Um coração idealista. Um coração como poucos. Um coração à moda antiga. Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário. 

 

Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado, meio calejado, muito machucado e que teima em alimentar sonhos, e cultivar ilusões. Um pouco inconsequente que nunca desiste de acreditar nas pessoas. Um leviano e precipitado coração que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu “não quero dinheiro, eu quero amor sincero, é isso que eu espero…”. Um idealista. Um verdadeiro sonhador.

 

Rifa-se um coração que nunca aprende. Que não endurece, e mantém sempre viva a esperança de ser feliz, sendo simples e natural. Um coração insensato que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar. Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras. 

 

Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros. Esse coração que erra, briga, se expõe. Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões. Sai do sério e, às vezes revê suas posições arrependido de palavras e gestos. Este coração tantas vezes incompreendido. Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo. 

 

Rifa-se este desequilibrado emocional que, abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas, mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto. Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes. Um órgão abestado indicado apenas para quem quer viver intensamente e, contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo, defendendo-se das emoções. 

 

Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário. Um coração que quando parar de bater ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas: "O Senhor poder conferir, eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento. Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer". 

 

Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo. Um órgão mais fiel ao seu usuário. Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga. Um coração que não seja tão inconsequente. 

 

Rifa-se um coração cego, surdo e mudo, mas que incomoda um bocado. Um verdadeiro caçador de aventuras que, ainda não foi adotado, provavelmente, por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais, por não querer perder o estilo. Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree. Um simples coração humano. Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado. Um modelo cheio de defeitos que, mesmo estando fora do mercado, faz questão de não se modernizar, mas vez por outra, constrange o corpo que o domina. Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos e, a ter a petulância de se aventurar como poeta. 

 

Clarisse Lispector.

 

GD.