28 de junho de 2012

Para não desaparecer.


E vão te esquecendo aos poucos, como aquela música que tocava repetidamente e hoje é uma melodia perdida dentro da cabeça. Assim como aquela voz que antes tanto se escutava e hoje não se lembra mais o tom. Como aquelas mensagens que antes apareciam todos os dias na tela do celular e hoje é preciso de esforço para que elas apareçam. Assim como aquelas risadas que demoravam a passar e hoje elas não sabem por onde ou como começar. Como aquela vontade de compartilhar algo que te faz bem, mas que hoje é preciso cuidado para que, ao compartilhar, não te faça mal. Assim como todos os segredos contados, que antes pareciam confidenciais e hoje estão guardados e trancados na memória. Como todos os carinhos trocados, que antes traziam aconchego e agora para senti-los é preciso fechar os olhos. Assim como antes a companhia era uma calmaria e hoje o não tê-la é aquela tempestade em alto mar. Como antes você era uma presença constante e hoje é apenas uma lembrança. E vão te esquecendo aos poucos. E você lutando contra, lutando para não desaparecer. 


GD.

12 de junho de 2012

Mesmo sem entender.


Falar de religião é uma coisa tão complicada, há sempre confrontos sobre o que é certo e errado, mas na realidade não existe o certo ou o errado, existem pessoas que creem em algo maior que lhes dá forças. Ou existem pessoas que não creem, ponto. Porém, particularmente falando, acho que cada um precisa acreditar em algo ou ter alguém do lado para confiar e dar apoio. E não venha me dizer que você dá conta de carregar tudo sozinho, pois não dá, o peso às vezes extrapola e ter alguém do lado, sempre, repito, sempre ajuda. O mais engraçado é que a ajuda às vezes vem sem você esperar, e uma palavra ou um gesto de alguém que queira o seu bem muda tudo. Hoje, recebi uma música e nela tinha tudo o que eu queria escutar e precisava falar. Nunca fui de escutar músicas que falam de Deus explicitamente, algumas vezes elas me incomodam, não vou mentir. Só que paguei língua, pois gostei. E não gostei apenas do que ouvi, gostei de me surpreender. Por isso, eu espero que mais alguém, além de eu mesma, se surpreenda.

“Deus, mesmo que eu não consiga entender e queira tudo do meu jeito, eu até choro e às vezes até chego a dizer, por que é que tem que ser tão difícil pra mim, parece que é difícil só pra mim, eu sei, Seus pensamentos são mais altos que os meus, o Teu caminho é melhor do que o meu, Tua visão vai além do que eu vejo, o senhor sabe exatamente o que é melhor pra mim. E mesmo que eu não entenda o Seu caminho, eu confio. E, Deus, porque sou tão pequenino assim? Vou ficar quietinho aqui em Seu colo esperando o tempo certo de tudo, porque eu sei que vais cuidar de mim, e o Seu melhor está por vir, eu sei que é o melhor pra mim, mesmo sem entender.” - Thalles Roberto
GD.

30 de maio de 2012

Procura-se felicidade alheia.


Às vezes, paro para pensar em como as pessoas se comportam. E refletindo sobre os últimos acontecimentos do cotidiano me questionei sobre o espanto das pessoas ao verem você vibrar pela felicidade alheia. Parece que é algum tipo de crime desejar o bem de alguém. As ações de dividir e compartilhar nós aprendemos dentro de casa e na escola desde pequenos, pelo menos comigo sempre foi assim. Aprendi que repartir não é apenas ser educado, mas doar uma parcela sua e ser feliz com alguém, em dobro ou triplo e assim por diante.

O egoísmo reina. Roubar a felicidade dos outros, não querer o bem de outra pessoa virou hobby. Não estou generalizando, cada um com o seu problema, mas nunca existirá um culpado. Vejo isso como uma massa de bolo, onde você mistura uma colher de sopa de dificuldade do ser humano com três xícaras de egoísmo e uma pitada de comodismo. Coloca para assar. A massa cresce e quando você abre o forno, ele murcha e sola. Você fica puto, pois fez com tanto amor e carinho, só que, ao contrário do que esperava, não poderá comê-lo, afinal todos os ingredientes estavam podres e você não se deu ao trabalho de olhar a data de validade. No final, a culpa é dos ingredientes e não do chefe de cozinha. 

GD.

24 de maio de 2012

Eu fui mais eu.

Queria escrever, embora me faltem algumas palavras. Mas, eu fui mais eu, eu fui eu, sempre, independente de clima, posição lunar ou inferno astral. Independente dos meus dias de tristeza ou dos meus dias de imensa felicidade. Fui eu, em cada palavra, cada piscadela, cada coçada de nariz quando ficava ansiosa, em cada dor no estomago, que se pudesse nomeá-las como tremores teria derrubado mais da metade das geleiras polares. Eu fui eu, em cada música, em cada risada pelo canto da boca, em cada brincadeira sem graça, em cada carinho, aperto de mão, até quando insistia em acariciar as pontas dos seus dedos. Fui eu em cada olho dentro do olho, em cada preocupação, em cada carinho acima da orelha, em cada aperto no queixo, na minha intensidade e exagero. Eu fui eu em cada risada sua, simplesmente por ser eu, por querer ser sempre eu quando eu mesma não imaginasse que pudesse ser. Mas fui. 

GD.

21 de maio de 2012

Sentado à beira do caminho.

Eu não posso mais ficar aqui a esperar que um dia de repente você volte para mim. Vejo caminhões e carros apressados a passar por mim, estou sentado à beira de um caminho que não tem mais fim. Preciso acabar logo com isso, preciso lembrar que eu existo. Meu olhar se perde na poeira desta estrada triste, onde a tristeza e a saudade de você ainda existem. E esse sol que queima no meu rosto, um resto de esperança de ao menos ver de perto seu olhar que eu guardo na lembrança. Preciso acabar logo com isso, preciso lembrar que eu existo. Vem a chuva molha o meu rosto e então eu choro tanto, minhas lágrimas e os pingos dessa chuva se confundem com meu pranto. Olho pra mim mesmo, me procuro e não encontro nada, sou um pobre resto de esperança à beira de uma estrada. Carros, caminhões, poeira, estrada, tudo, tudo se confunde em minha mente. Minha sombra me acompanha e vê que eu estou morrendo lentamente. Só você não vê que eu não posso mais ficar aqui sozinho esperando a vida inteira por você, sentado à beira do caminho.


Erasmo Carlos e Roberto Carlos.


GD.